[IHAC no Congresso da UFBA] Avatar-Tour: Sleeping Humanity

Por: Sebáh Villas-Bôas

Resumo: Avatar-tour: sleeping humanity é um curta-metragem (3 min, P/B), como tentativa de um filme-ensaio cujo tema é referente as relações míticas que os sujeitos contemporâneos desenvolvem com as representações simbólicas de si mesmos e do mundo nas composições figurativas que o ambiente gráfico computacional da internet (ciberespaço) possibilita.

Apresentação: Originariamente o termo avatar  (avatara) vem do sânscrito, língua considerada sagrada na cultura hindu, especificamente um vocábulo que designa a encarnação de uma divindade em forma material mundana, configurando contornos humanos ou de seres fantásticos como os dragões; antropologicamente, a historiografia do mito nas diversas culturas ao longo do tempo oferece um sem fim de exemplares de fabulosos seres divinos que no cumprimento de desígnios cósmicos transitam na superfície sensível do planeta promovendo auxílios ou sortilégios para a humanidade.

Tendo abandonado a vida comunitária tradicional dos agrupamentos de economia de subsistência e, posteriormente, quando da instauração do modus vivendis capitalista e a consequente individuação fortalecida por crença nos pressupostos experimentais promovidos desde a ascensão ideológica do Iluminismo, o sujeito social resultante do modelo de globalização hegemônico imposto pelo bloco-histórico geo-político que se nomeia por Ocidente, na condição factível de indivíduo cognoscente, tem seu isolamento cada vez mais intensificado por discursos e práticas que favorecem e exaltam uma pretensa autonomia e legitimidade do consumo desenfreado de recursos naturais e produtos industriais, prova irrefutável dos feitos técnicos da razão-instrumental.

No presente instaurado, na grande-narrativa do mundo contemporâneo, os sujeitos socioculturais vêm sendo cultivados para a aceitação de uma pretensa neutralidade dos avanços tecnológicos no bojo das ações que norteiam as vivências cotidianas. Destaca-se que na virada secular para o terceiro milênio do calendário gregoriano, eis que após um século de predomínio do cinema como o mágico caleidoscópio para a figuração simbólica do imaginário, o surgimento e o espraiamento da Internet no cotidiano das sociedades, fez desaguar o imaginário nas mais diversas representações de ambientes gráficos computacionais, expondo inconscientes pulsões latentes e incontíveis da necessidade humana de sonhar e projetar para si e para toda a alteridade, simultaneamente, uma auto-imagem que atinge seu ápice na projeção dos perfis dos jogos eletrônicos em rede e nos perfis da redes sociais; nas fabulações do mito recente, correspondendo ao “espírito do tempo”, o avatar já não encarna mundanamente, se desmaterializa em bits informacionais e amplia o horizonte da humanidade para a figuração de processos arquetípicos coletivos e individuais.

Assim, em exercício de ressignificação de figuras difundidas nos meios de comunicação de massa e nas recentes redes telemáticas informacionais, Avatar-tour: sleeping humanity é uma sequenciada ilusão de frames que assume caráter meta-linguístico a respeito de um tempo e das personas no contexto histórico do atual processo civilizatório orientado e orientador de um imaginário midiático global hegemônico. (Sebáh Villas-Bôas / heterônomo pelo qual atuo artisticamente).

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